Biblioteca escolar: possibilidades, limites e contradições
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Universidade Federal do Oeste do Pará
Resumo
School libraries are rare; most depend on individual initiatives and seem fragile and ephemeral. Although there is a curious consensus among teachers and researchers that they contribute, or could contribute, to the dissemination of knowledge essential to human development and the improvement of education, there is an extensive body of work that identifies their low effectiveness. this thesis sought to answer the question: “why is a school library so difficult to establish, if everyone agrees on its necessity?” To aim this end, two approaches were taken: the first, of conceptual nature, examined academic propositions and analyses, attempting to verify their foundations and how they propose the school library and why they do not find support in reality; the second movement, focusing on examining the paradox between the announced conception and the reality in which the school library is not or barely implemented, directed the research towards the Amazon region, particularly in western Para, considering the experiences of revitalization or creation of school or community libraries coordinated by the Grupo de Pesquisa, Estudo e Intervenção em Leitura, Escrita e Biblioteca na Escola (Research, Studies and Intervention group in reading, writing and literature at school) - Lelit, most of which, after a brief period of success, went into decline. 26 works were considered, including 16 direct acts of interventions and five observational studies. From the analyses and examination of concrete experiences, it is concluded that, although creating a library is possible (and necessary), it requires more than goodwill and individual initiatives. The difficulties are not limited to the absence of adequate physical spaces and collections, involving issues related to school dynamics, collective adherence and management commitment, as well as the very understanding of formal and non-formal education. By articulating theoretical reflections, empirical experiences, and formative trajectories, it was possible to understand that the difficulty in establishing and maintaining a school library reflects broad contradictions in the cultural and political dynamics themselves and in the ways of doing education, including the devaluation of culture, the reduction of the school to pragmatic functions, and the reproduction of inequality. in short, creating a library is a challenging task because the obstacles encountered are embedded in a societal model of accumulation and exclusion, which subordinates education, and consequently reading, to mercantile interests and the logic of efficiency and productivity.
Resumo
Bibliotecas escolares são raras; a maioria depende de iniciativas individuais e parecem frágeis e efêmeras. Embora haja entre professores e pesquisadores um singular consenso de que ela contribui, ou poderia contribuir, para a difusão dos conhecimentos essenciais à formação humana e à melhoria da educação, há uma extensa produção de trabalhos que identifica sua pouca efetividade. Esta tese buscou responder uma pergunta: Por que é tão difícil a biblioteca na escola, se todos estão em consenso quanto à sua necessidade? Para tanto, fizeram-se dois movimentos: o primeiro, de caráter conceitual, examinou as proposições e análises acadêmicas, tratando de verificar seus fundamentos e o modo como propõem a biblioteca escolar e por que não encontram respaldo na realidade; o segundo movimento, com foco no exame do paradoxo entre a concepção anunciada e a realidade na qual a biblioteca escolar não ou mal se efetiva. A pesquisa foi direcionada para a região amazônica, particularmente no Oeste do Pará, considerando as experiências de revitalização ou criação de bibliotecas escolares ou comunitárias coordenadas pelo Grupo de Pesquisa e Estudo e Intervenção em Leitura e Escrita e Literatura na Escola – Lelit –, as quais, em sua maioria, após breve brilho, entraram em decadência. Foram considerados 26 trabalhos desenvolvidos e publicados pelo grupo, incluindo 16 relatos e avaliações de ações diretas e cinco estudos de observação direta de bibliotecas escolares. Das análises e do exame das experiências concretas, conclui-se que, embora fazer biblioteca seja possível (e necessário), isso requer mais do que boa vontade e iniciativas individuais. A dificuldade não se limita à ausência de espaços físicos adequados e de acervo, pois envolve questões relacionadas à dinâmica escolar, à adesão coletiva e ao empenho da gestão, bem como a própria compreensão de educação formal e educação não formal. Ao articular reflexões teóricas, experiências empíricas e trajetórias formativas, foi possível compreender que a dificuldade de realização e manutenção da biblioteca escolar reflete contradições amplas da própria dinâmica cultural e política e das formas de fazer educação, incluindo a desvalorização da cultura, a redução da escola a funções pragmáticas e a reprodução da desigualdade. Enfim, fazer biblioteca é tarefa difícil, porque os obstáculos que se põem estão encravados no modelo de sociedade de acumulação e exclusão, que subordina a educação, e, por consequência, a leitura, ao interesse mercantil e à lógica da eficiência e da produtividade.
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CARDOSO, Juçara dos Santos. Biblioteca escolar: possibilidades, limites e contradições. Orientador: Luiz Percival Leme Britto. 2025. 160 p. Tese (Doutorado em Educação na Amazônia) - Instituto de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação na Amazônia - Associação Plena em Rede, Universidade Federal do Oeste do Pará, Santarém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufopa.edu.br/handle/123456789/3206. Acesso em: .
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