A poética feminina incendiária: a palavra como fogo libertário em Roberta Tavares e Noémia de Sousa

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Universidade Federal do Oeste do Pará

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This study examines the construction of the concept of incendiary feminine poetics as a reading category for Afro-Amazonian Black quilombola and Mozambican African Black poetics. Drawing on the works of Roberta Tavares, from the Quilombo Cravo community in Pará, Brazil, and Noémia de Sousa, from Mozambique, it investigates how their incendiary lyrical voices transform experiences shaped by colonialism, racism, and gender inequality into expressions of denunciation, identity affirmation, and resistance. Grounded in D’Onófrio’s structural analysis of lyric texts and informed by the theoretical contributions of Conceição Evaristo, Carla Akotirene, Inocência Mata, Laura Padilha, and Verónica Gago, the study explores how memory, ancestry, and resistance intersect in the affirmation of Black identities. The poems analyzed reveal writing as a space for confronting historical violence, preserving collective memory, and affirming shared knowledge. From this perspective, incendiary feminine poetics is presented as an analytical framework that broadens the possibilities for interpreting literary works by Black women authors, highlighting forms of resistance to colonial, racial, and patriarchal structures. Finally, as an extension of the analysis, incendiary feminine poetics is also proposed as a pedagogical approach that contributes to discussions on literature teaching, the implementation of Brazilian Law nº 14.986/2024, the recognition of historically marginalized Black women writers, and the promotion of pedagogical practices grounded in gender and ethnic-racial education.

Resumo

Esta pesquisa analisa a construção da noção de poética feminina incendiária como categoria de leitura para poéticas negras quilombolas afro-amazônicas e negras africanas moçambicanas. A partir das obras de Roberta Tavares, do Quilombo Cravo, no Pará, e de Noémia de Sousa, em Moçambique, investiga-se como suas vozes líricas incendiárias transformam experiências marcadas pelo colonialismo, pelo racismo e pelas desigualdades de gênero em denúncia, afirmação identitária e resistência. Fundamentada na análise estrutural do texto lírico proposta por D’Onófrio e nos aportes teóricos de Conceição Evaristo, Carla Akotirene, Inocência Mata, Laura Padilha e Verônica Gago, a pesquisa examina como memória, ancestralidade e resistência se articulam na afirmação de identidades negras. Os poemas analisados evidenciam a escrita como espaço de enfrentamento das violências históricas, preservação da memória e afirmação de saberes coletivos. Nesse viés, a poética feminina incendiária é apresentada como uma ferramenta analítica que amplia as possibilidades de leitura de produções de autoria feminina negra, evidenciando modos de contestação das estruturas coloniais, raciais e patriarcais. Por fim, como desdobramento da análise, a poética feminina incendiária também constitui uma proposta didático-pedagógica que contribui para reflexões sobre o ensino de literatura, a aplicação da Lei nº 14.986/2024, para a valorização de autoras negras historicamente silenciadas e para a promoção de práticas pedagógicas alinhadas com a educação de gênero e étnico-racial.

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ROCHA, Ana Carolina Costa. A poética feminina incendiária: a palavra como fogo libertário em Roberta Tavares e Noémia de Sousa. Orientadora: Thais Yasmine Feitosa Gondim. 2026. 156p. TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) – Instituto de Ciências da Educação, Licenciatura em Letras- Português e Inglês, Universidade Federal do Oeste do Pará, Santarém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufopa.edu.br/handle/123456789/3338. Acesso em: .

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