“A lição sabemos de cor, só nos resta aprender” a brincadeira de faz de conta como eixo norteador das práticas pedagógicas na pré-escola: desafios e possibilidades
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Universidade Federal do Oeste do Pará
Resumo
The main objective of this research is to understand the challenges and possibilities of play as a guiding principle of the preschool curriculum, with an emphasis on pretend play. As a methodological approach, we chose to observe the pedagogical practice of a teacher in terms of organizing the educational social environment to promote pretend play, a guiding activity for preschool children aged 3 to 7 years. The study is based on the theoretical and methodological principles of the Historical-Cultural Theory (THC) of Vigotski and collaborators, recognizing the importance of the environment and the relationships established therein as factors of human constitution and development. In order to understand the object of study, we outlined some methodological paths for the investigation: the explanatory nature of the object studied, in search of its essence, avoiding immediate appearances, and the interventional-collaborative nature of the research, through continuing education and monitoring of the teacher's pedagogical practice throughout the year 2022. The data production strategies were structured around observation of the teaching practices of the teacher participating in the research, semi-structured interviews, a questionnaire administered to the children's families, analysis of documents such as the school's Pedagogical Political Project (PPP), and research on training. The data was recorded in a field diary, videos, and photographs. Overall, the research results revealed that the possibilities of making pretend play the guiding principle of pedagogical practices are “intrinsically linked” to the continuing education of teachers and the allocation of time, spaces, and objects reserved for children to play. The lack of these conditions poses challenges that compromise the effectiveness of this activity as the focus of teachers' actions in early childhood education, undermining essential premises, such as the concept of capable and participatory children and the understanding of play as an activity that, in addition to enabling children to enjoy their childhood, enhances a series of psychological processes. The possibilities arising from this understanding consist of: individual and collective monitoring of children's development; planning teaching activities with the collaboration of children, welcoming and considering their knowledge, interests, and needs; exercising recording as a self-training project, reflecting pedagogical practice; and intentional actions and interventions that contemplate development and respect young children in their best way of learning, giving due importance to play and children's creativity. More specifically, the research also revealed oscillating conceptions and practices of the participating teacher with regard to the object of investigation. Although she showed respect for the children's interests and needs, their freedom, and their childhood, she sometimes demonstrated practices with transmissive tendencies, focused on her commands and control of the class, aiming mainly at the children's cognitive development through directed and non-playful activities. When the children played, the teacher occupied herself with other tasks she considered more important, or simply “observed” the play without any intervention (exploratory period). We identified that toys/objects were always kept high up on shelves and were mostly given out as rewards for behavior deemed appropriate by the teacher or when she needed to fill some time in the routine. Continuing education, which we used as a strategy to improve the teacher's pedagogical practice, enabled important changes. She began to better “understand,” among other aspects of teaching practice, her role in guiding child development, as proposed by Vigotski. She began to plan for and with the children and to consider play as a pedagogical activity. Thus, we found that the process of teacher training, both initial and continuing, has been a major challenge to be overcome so that these professionals see themselves as intellectuals of their own practices, who play an important role in the human development of young children.
Resumo
Essa pesquisa tem como objetivo principal compreender os desafios e as possibilidades da brincadeira como eixo norteador do currículo na pré-escola, com ênfase na brincadeira de faz de conta. Como recorte metodológico, optamos por observar a prática pedagógica de uma professora, no que refere à organização do meio social educativo para promover o brincar de faz de conta, atividade-guia da criança pré-escolar dos 3 aos 7 anos. O estudo tem como base os princípios teórico-metodológicos da Teoria Histórico-Cultural (THC) de Vigotski e colaboradores, reconhecendo a importância do meio e das relações nele estabelecidas como fatores de constituição e desenvolvimento humano. Em busca de compreender o objeto de estudo, traçamos alguns caminhos metodológicos para a investigação: o caráter explicativo sobre o objeto estudado, em busca de sua essência, fugindo das aparências imediatas e o caráter interventivo-colaborativo da pesquisa, por meio de uma formação continuada e acompanhamento da prática pedagógica da professora, ao longo do ano de 2022. As estratégias de produção de dados foram estruturadas na observação da prática pedagógica da professora participante da pesquisa, entrevistas semiestruturadas, questionário aplicado com as famílias das crianças, análise de documentos, como o Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola e pesquisa com formação. As formas de registro desses dados foram o diário de campo, vídeos e fotografias. De modo geral, os resultados da pesquisa revelaram que as possibilidades de tornar o brincar de faz de conta eixo norteador das práticas pedagógicas está “intrinsecamente ligado” à formação continuada de professores, à destinação de tempo, espaços e objetos reservados para as crianças brincarem. A falta dessas condições acarreta desafios que comprometem a efetividade dessa atividade como eixo das ações do professor na Escola de Educação Infantil, ferindo premissas essenciais, como a concepção de crianças capazes e participativas e a compreensão da brincadeira como atividade que, além de possibilitar que as crianças vivam sua infância, potencializa uma série de processos psicológicos. As possibilidades advindas de tal compreensão consistem em: acompanhamento individual e coletivo do desenvolvimento das crianças; planejamento da ação docente com a colaboração das crianças, acolhendo e considerando seus conhecimentos, interesses e necessidades; exercício do registro como projeto de autoformação, refletindo a prática pedagógica; e ações e intervenções intencionais que contemplem o desenvolvimento e respeitem as crianças pequenas na sua melhor forma de aprender, dando a devida importância à brincadeira e à criatividade infantil. Mais especificamente, a pesquisa revelou ainda concepções e práticas oscilantes da professora participante no que diz respeito ao objeto de investigação. Embora demonstrasse respeito aos interesses e necessidades das crianças, à liberdade delas e às suas infâncias, por vezes, demonstrou práticas com tendências transmissivas, centradas nos seus comandos e no controle da turma, visando, majoritariamente, ao desenvolvimento cognitivo das crianças por meio de atividades dirigidas e não brincantes. Quando as crianças brincavam, a professora se ocupava fazendo outras tarefas que considerava mais importantes, ou simplesmente “observava” a brincadeira sem qualquer intervenção (período exploratório). Identificamos que os brinquedos/objetos ficavam sempre suspensos no alto das prateleiras e eram liberados, na maioria das vezes, como recompensa por um comportamento considerado adequado pela docente ou quando precisava preencher algum tempo da rotina. A formação continuada, usada por nós como estratégia para aperfeiçoar a prática pedagógica da professora, possibilitou mudanças importantes. Ela passou a “compreender” melhor, entre outros aspectos da prática docente, seu papel diante da atividade-guia do desenvolvimento infantil, tal como propõe Vigotski, passou a planejar para e com as crianças e a considerar a brincadeira como atividade pedagógica. Assim, constatamos que o processo de formação dos professores, tanto inicial como continuada tem se constituído como um grande desafio a ser superado para que esses profissionais se vejam como intelectuais de suas próprias práticas, que exercem importante papel no processo de formação humana das crianças pequenas.
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VASCONCELOS, Jeyse Sunaya Almeida de. “A lição sabemos de cor, só nos resta aprender” a brincadeira de faz de conta como eixo norteador das práticas pedagógicas na pré-escola: desafios e possibilidades. Orientadora: Sinara Almeida da Costa. 2025. 219 p. Tese (Doutorado em Educação na Amazônia) - Instituto de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação na Amazônia - Associação Plena em Rede, Universidade Federal do Oeste do Pará, Santarém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufopa.edu.br/handle/123456789/3204. Acesso em: .
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