Água de beber e água de banhar: estudo socioambiental sobre gênero e insegurança hídrica domiciliar na várzea do Baixo Amazonas

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Universidade Federal do Oeste do Pará

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The present research analyzed the situation surrounding deprivations in access and household water management in a Varzeira community in Lower Amazonas. The main objective was to verify household water insecurity and the vulnerabilities of women in a region where there are unsafe water sources. Gender was studied as an analytical, relational category, where women and girls are the main ones affected in their socio-environmental, cultural and historical context, as they are socially responsible for domestic chores and care, thus the production and reproduction of life in their community context. We pay attention to this problem, based on a paradoxical relationship in the Brazilian Amazon: the natural abundance of water versus the scarcity in homes, as well as the inadequate quality of the services available. The methodologies has consisted of the descriptive analysis of statistical data, the social practices of these women and girls around water relations and a bibliographic and documentary survey, configured as qualitative and uantitative. The following stages were constituted: collection of secondary data; systematic research; pre-field; population organization and sampling; preparation of questionnaires; Implementation of the household water insecurity scale and questionnaire to collect primary sociodemographic data; analysis and interpretation of data. Between October 2022 and March 2023, we collected data from 82 households whose random sample found 141 women, 101 of whom were of menstrual age. The results obtained through the application of the household water insecurity scale and sociodemographic questionnaire highlighted the situation of women in households. In 85% of cases, women are primarily responsible for taking care of water in homes. 15% of women are black/black while (75%) are brown. 70.13% of women in the sample were of menstrual age, demonstrating vulnerability regarding feminine hygiene. Income and unpaid domestic work associated with greater water insecurity were also assessed. Using 12 variables on the scale, the frequency in which there was concern, interruption or impediment to washing clothes, washing hands and bathing was assessed over the last four weeks. Changes in daily planning were evaluated due to the interruption or absence of water, changes or impediments in food preparation. The other variables verified at household level refer to perceived stress (shame, anger or irritation) in relation to the ways of obtaining, domestic management and storage of the water they consume, the availability of water to drink based on the preference of the women who made up households. Households with a greater number of women tend to have greater water insecurity, showing that women are more vulnerable to issues such as menstrual hygiene and domestic care activities, which include caring for children, the elderly and people who are sick at home. The identification and characterization of water insecurity, as well as household water management in the Amazon region, encourage the debate on public policies from a gender perspective.

Resumo

A presente pesquisa observou a situação em torno das privações ao acesso e gestão domiciliar da água numa comunidade varzeira do Baixo Amazonas. O objetivo principal foi verificar a insegurança hídrica domiciliar e as vulnerabilidades de mulheres numa região onde há fontes de água inseguras. Estudou-se gênero enquanto categoria analítica, relacional, onde mulheres e meninas são as principais afetadas em seu contexto socioambiental, cultural e histórico, por estarem socialmente responsabilizadas pelos afazeres e cuidados domésticos, na produção e reprodução da vida em seu contexto comunitário. Atentamos para essa problemática, a partir de uma relação paradoxal na Amazônia brasileira: o da abundância in natura de água versus a escassez nas residências, bem como a má qualidade dos serviços disponibilizados. As metodologias empregadas consistiram na análise descritiva dos dados estatísticos, das práticas sociais dessas mulheres e meninas em torno das relações hídricas e levantamento bibliográfico e documental, configurando-se como qualiquantitativa. Constituiu-se as seguintes etapas: levantamento de dados secundários; pesquisa sistemática; pré-campo; organização da população e amostragem; elaboração dos questionários; implementação da escala de insegurança hídrica domiciliar e questionário para coleta de dados primários sociodemográficos; análise e interpretação dos dados. Entre outubro de 2022 e março de 2023, coletou-se dados de 82 agregados familiares cuja amostra aleatória constatou 141 mulheres, sendo 101 em idade menstrual. Os resultados obtidos por meio da aplicação da escala de insegurança hídrica domiciliar e questionário sociodemográfico apontaram a situação das mulheres nos agregados familiares. Em 85% dos casos, as mulheres são as principais responsáveis pelos cuidados com a água nos domicílios. 15% das mulheres são pretas/negras, enquanto (75%) são pardas. 70,13% das mulheres do universo da amostra estavam em idade menstrual, demonstrando vulnerabilidade quanto a higiene feminina. Também foram avaliadas a renda e o trabalho doméstico não remunerado associados à maior insegurança hídrica. Através de 12 variáveis da escala avaliou-se nas quatro últimas semanas a frequência em que houve preocupação, interrupção ou impedimentos para lavagem de roupas, lavagem das mãos e banho. Avaliou-se mudanças no planejamento diário em razão da interrupção ou ausência de água, mudanças ou impedimento no preparo dos alimentos. As demais variáveis verificadas a nível domiciliar referem-se ao stress percebido (vergonha, raiva ou irritação) em relação às formas de obtenção, gestão doméstica e armazenamento da água que consomem, a disponibilidade de água para beber a partir da referência das mulheres que compunham os agregados familiares. Casas com maior número de mulheres, tendem a possuir maior insegurança hídrica, indicando que mulheres estão mais vulneráveis a questões como higiene menstrual e atividades de cuidados domésticos que inclui cuidado com crianças, idosos e pessoas em adoecimento nos domicílios. A identificação e caracterização da insegurança hídrica, bem como a gestão domiciliar da água na região Amazônica fomentam o debate sobre políticas públicas numa perspectiva de gênero.

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TRINDADE, Andreza Barbosa. Água de beber e água de banhar: estudo socioambiental sobre gênero e insegurança hídrica domiciliar na várzea do Baixo Amazonas. Orientador: Rubens Elias Duarte Nogueira. Coorientadora; Paula Alves Tomaz. 2023.141f. Dissertação (Mestrado em Sociedade, Ambiente e Qualidade de Vida) - Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Ambiente e Qualidade de Vida, Universidade Federal do Oeste do Pará, Santarém, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufopa.edu.br/handle/123456789/1214. Acesso em: .

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