Exposição ao mercúrio em comunidades da Região do Baixo Tapajós
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Universidade Federal do Oeste do Pará
Resumo
Mercury (Hg) is a highly toxic element for human health. It can be derived from sources in the Earth's crust and from anthropogenic sources. The biotransformation, biomagnification and bioaccumulation of this metal in the ecosystem affects humans. One of its chemical forms, methylmercury, has the ability to accumulate in aquatic plants and fish and, thus, promote chronic exposure to Hg in people. Thus, the objective of this study is to characterize exposure to Hg in communities in the riverside region of the lower Tapajós, state of Pará. This is a cross-sectional, descriptive and quantitative research. The data in this study refer to collections carried out in 2022, in the communities of the lower Tapajós region. People of both sexes, aged 18 and over, with fixed residence in the riverside area for more than one year were included in this research. To collect the data, a questionnaire with sociodemographic, dietary and health questions was applied. In addition, 5 mL of venous blood was collected from each volunteer to measure total mercury (HgT). HgT measurements were performed using a DMA-80 Direct Mercury Analyzer, which quantifies Hg levels using atomic absorption spectrometry. For this study, the safety limit for Hg of 10 μg/L established by the World Health Organization (WHO) was considered. Descriptive analysis, daily Hg intake estimation, risk ratio calculation, Hg comparison tests (Kruskal-Wallis and Mann-Whitney tests) and Spearman correlation were performed. Statistical analyses were performed using JASP software, version 0.19.2.0. R software was used for Mann-Whitney analyses and to prepare boxplot graphs using the ggplot2 package. In this study, a significance level of p < 0.05 was adopted. Of the 570 individuals, females were the most present (63.33%). HgT levels were higher among men (median = 26.28 μg/L). Daily fish consumption was reported by 36.84% of participants, with a median HgT of 27.49 μg/L. Hg exposure is directly related to the total amount of fish consumed, with a strong positive correlation (ρ = 0.947, p < 0.001). A weak and negative correlation was observed between Hg levels and fruit consumption (ρ = -0.104, p = 0.013). There was a health risk, especially for women of childbearing age and based on the consumption of carnivorous fish. The risk estimate associated with fish consumption revealed that women of childbearing age have a risk ratio (RR) of 5.4, while adults of both sexes have a RR of 2.6. A statistically significant difference was found in the symptom of numbness in the hands (p = 0.0173) with median = 23.63 μg/L and body tremor (p = 0.047) with median = 23.43 μg/L. The riverside dwellers presented Hg levels above the WHO safety limit and are at risk to their health. Dietary patterns influenced Hg exposure. Hg exposure in the Tapajós River basin continues to be a public health concern, especially for riverside populations, as they depend on fish as their main food source. Therefore, mitigation measures, such as diversifying the diet with species from different trophic levels, encouraging the consumption of foods rich in antioxidants, and implementing educational campaigns on the risks of Hg exposure, are essential to reduce the health impacts of these populations. In addition, there is an urgent need to implement public policies aimed at environmental and health monitoring of populations exposed to Hg in the Amazon. Finally, further studies need to be carried out to clarify the association between the presence of symptoms that may be caused by the toxic and neurotoxic effects of Hg and exposure levels, as well as research that may determine possible risk markers for vulnerable populations.
Resumo
O mercúrio (Hg) é um elemento altamente tóxico para a saúde humana. Este pode ser derivado de fontes na crosta terrestre e de fontes antrópicas. A biotransformação, biomagnificação e a bioacumulação deste metal no ecossistema afeta os humanos. Umas das formas químicas, o metilmercúrio, tem a capacidade de se acumular nas plantas aquáticas e nos peixes e, desse modo, promover à exposição crônica ao Hg nas pessoas. Assim, o objetivo deste estudo é caracterizar a exposição ao Hg em comunidades da região ribeirinha do baixo Tapajós, estado do Pará. Trata-se de uma pesquisa do tipo transversal, descritiva e quantitativa. Os dados deste estudo são referentes as coletas realizadas no ano de 2022, nas comunidades da região do baixo Tapajós. Foram incluídas nesta pesquisa, pessoas de ambos os sexos, a partir dos 18 anos de idade, com residência fixa na área ribeirinha há mais de um ano. Para a coleta dos dados, foi aplicado um questionário com questões sociodemográficas, alimentares e de saúde. Também, foi colhido 5 mL de sangue venoso de cada voluntário para a dosagem do mercúrio total (HgT). As dosagens do HgT foram realizadas com o equipamento DMA-80, Direct Mercury Analyzer, que quantifica valores de Hg através da técnica de espectrometria de absorção atômica. Para esta pesquisa, foi considerado o valor limite de segurança para o Hg de 10 μg/L estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Foi realizada a análise descritiva, a estimativa da ingestão diária de Hg, o cálculo da razão de risco, testes de comparação do Hg (Teste de Kruskal-Wallis e Mann-Whitney) e a correlação de Spearman. As análises estatísticas foram feitas no software JASP, versão 0.19.2.0. O software R foi utilizado para as análises de Mann-Whitney e para a elaboração dos gráficos boxplot, por meio do pacote ggplot2. Neste estudo, adotou-se um nível de significância de p < 0,05. De 570 pessoas, o sexo feminino foi o mais presente (63,33%). Os níveis de HgT foram mais elevados entre os homens (mediana = 26,28 μg/L). O consumo diário de peixe foi relatado por 36,84% dos participantes, com mediana de HgT de 27,49 μg/L. A exposição ao Hg está diretamente relacionada à quantidade total de peixe consumida, com uma forte correlação positiva (ρ = 0,947, p < 0,001). Foi observada uma correlação negativa e fraca entre os níveis de Hg e consumo de frutas (ρ = -0,104, p = 0,013). Houve risco à saúde, com destaque para as mulheres em idade fértil e baseado no consumo de peixes carnívoros. A estimativa de risco associada ao consumo de pescado revelou que mulheres em idade fértil apresenta uma razão de risco (RR) de 5,4, enquanto adultos de ambos os sexos apresentam um RR de 2,6. Foi encontrada diferença estatisticamente significativa no sintoma de dormência nas mãos (p = 0,0173) com mediana = 23,63 μg/L e tremor corporal (p = 0,047) com mediana = 23,43 μg/L. Os ribeirinhos apresentaram níveis de Hg acima do limite de segurança pela OMS e estão em risco à saúde. Os padrões alimentares tiveram influência na exposição ao Hg. A exposição ao Hg na bacia do rio Tapajós continua sendo uma preocupação de saúde pública, especialmente para as populações ribeirinhas, pois estas dependem do pescado como principal fonte de alimento. Dessa forma, medidas de mitigação, como a diversificação da dieta com espécies de diferentes níveis tróficos, o estímulo ao consumo de alimentos ricos em antioxidantes e a implementação de campanhas educativas sobre os riscos da exposição ao Hg, são essenciais para reduzir os impactos à saúde dessas populações. Além disso, é urgente a necessidade de implementação de políticas públicas voltadas ao monitoramento ambiental e de saúde das populações expostas ao Hg na Amazônia. Por fim, mais estudos precisam ser elaborados para esclarecer a associação entre a presença de sintomas que podem ser causados pelos efeitos tóxicos e neurotóxicos do Hg e os níveis de exposição, bem como pesquisas que possam determinar possíveis marcadores de risco para as populações vulneráveis.
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SOUZA, Marina Vasconcelos. Exposição ao mercúrio em comunidades da Região do Baixo Tapajós. Orientadora: Heloisa do Nascimento de Moura Meneses. 2025. 93 p. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde ) – Instituto de Saúde Coletiva, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Universidade Federal do Oeste do Pará, Santarém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufopa.edu.br/handle/123456789/3215
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