Fatores de risco associados à prevalência de anticorpos contra brucelose em equídeos do Oeste do Pará, Brasil

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Universidade Federal do Oeste do Pará

Resumo

The state of Pará has one of the largest equine populations in Brazil, with more than 800,000 head. Most of these animals are found on farms (farm horses) with livestock farming and are used in the management of cattle and buffaloes. Furthermore, in urban areas of the state, horses are commonly used as a means of transport for transporting materials (cart horse) and in sports such as vaquejada, archery and barrel competitions and horseback riding (sport horse). Infectious diseases cause concern for equine breeders due to the damage to the animals' health, economic and public health impacts in the case of zoonoses. In this context, equine brucellosis stands out, a chronic, infectious, zoonotic disease caused by bacteria of the genus Brucella sp., especially in areas where bovine brucellosis is endemic. The disease requires mandatory notification to the Official Veterinary Service of Brazil when there is any suspected case according to the World Organization for Animal Health (WHO). Considering the significant equine herds and the lack of epidemiological studies in Pará, especially in the western region of the state, the objective was to determine the prevalence of antibodies against Brucellosis in horses raised in western Pará and identify possible risk factors associated with this disease in three diverse groups: farm, sport and cart horses. From a preliminary cross-sectional study with sampling at two levels per cluster for farm horses that included 75 properties in 14 municipalities and with convenience sampling to collect carriage and sport horses, a total of 1,059 equids were included in the study, being 1039 horses, 13 donkeys and 7 mules. Serum samples were obtained via jugular venipuncture using a sterile vacuum system with tubes without anticoagulant. The blood was centrifuged at 2000 x g for 10 min, and the serum was aliquoted and stored at -35°C for analysis. During sample collection, an epidemiological questionnaire was used to obtain information about animal characteristics, management and local conditions that may act as risk factors for the seroprevalence of the disease. To detect antibodies against equine brucellosis, the Buffered Acidified Antigen test (AAT) and Seroagglutination in Tubes with 2-mercaptoethanol (2-ME) were used as screening to confirm the results. Serological analyzes were carried out at the Animal Health Laboratory (LARSANA) of the Federal University of Western Pará. The data were tabulated to determine the frequency of seropositive and seronegative horses and the prevalence. Univariate analysis was performed using the Chi-square test to investigate the association between the prevalence of antibodies and possible risk factors associated with the diseases. A logit-type binary logistic regression with Backward elimination of terms including the risk factors considered. Variables with P<0.05 were maintained in the final model. The data were analyzed using Minitab 17 software. And the 95% confidence interval was calculated using Prism software. Of the 1,059 animals sampled, 44 (4.05% - 95% CI: 3-5.5) tested positive in the AAT test. Positive samples in the AAT test were confirmed using the 2-ME test and of these 11 animals were positive, 15 inconclusive and 18 negative. Considering only the results confirmed by 2-ME, the prevalence of equine brucellosis at animal level in horses in the western region of Pará was 1.03% (95% CI: 0.5-1.8). Among the factors considered, only the Southwest Mesoregion of Pará (P = 0.047) interfered with the prevalence of anti-Brucella sp antibodies. The presence of Brucellosis-positive animals was not associated with reproductive problems reported by animal owners. This is the first report of equids seropositive for Brucellosis in the region, which contributes to the knowledge of the epidemiology of the disease and confirms the potential risk of the equine species to public health since they are in direct contact with humans and other animals.

Resumo

O estado do Pará possui uma das maiores populações equídeas do Brasil, com mais de 800.000 cabeças. A maioria desses animais são encontrados em fazendas (cavalos de fazenda) com atividade pecuária e são utilizados no manejo de bovinos e bubalinos. Além disso, nas áreas urbanas do estado os equídeos são comumente usados como meio de transporte para conduzir materiais (cavalo carroceiro) e em esportes como vaquejada, competições de arco, tambor e cavalgadas (cavalo de esporte). Doenças infectocontagiosas causam preocupações para os criadores de equídeos devido aos prejuízos à saúde dos animais, impactos econômicos e de saúde pública no caso das zoonoses. Nesse contexto destaca-se a Brucelose equina, doença crônica, infectocontagiosa, de caráter zoonótico, causada por bactérias do gênero Brucella spp., especialmente de áreas onde a brucelose bovina é endêmica. A doença exige notificação obrigatória ao Serviço Veterinário Oficial do Brasil quando houver qualquer caso suspeito de acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Considerando o expressivo rebanho equídeo e a carência de estudos epidemiológicos no Pará, em especial na região Oeste do estado, objetivou-se determinar a prevalência de anticorpos contra Brucelose em equídeos criados no Oeste do Pará e identificar possíveis fatores de risco associados a essa doença em três grupos distintos: equídeos de fazenda, esporte e carroceiros. A partir de um estudo transversal preliminar com amostragem em dois níveis por cluster para equídeos de fazenda que incluiu 75 propriedades em 14 municípios e com amostragem por conveniência para coleta de equídeos carroceiros e de esporte, um total de 1.059 equídeos foram incluídos no estudo, sendo 1039 equinos, 13 burros e 7 mulas. As amostras de soro foram obtidas por punção venosa jugular utilizando sistema de vácuo estéril com tubos sem anticoagulante. O sangue foi centrifugado a 2000 x g por 10 min, e o soro foi aliquotado e armazenado a -35°C para realização das análises. Durante a coleta das amostras, utilizou-se um questionário epidemiológico para obter informações sobre características dos animais, manejo e condições locais que possam atuar como fatores de risco para a soroprevalência da enfermidade. Para detecção de anticorpos contra Brucelose equina foi utilizado como triagem o teste Antígeno acidificado tamponado (AAT) e a Soroaglutinação em Tubos com 2- mercaptoetanol (2-ME) para confirmação dos resultados. As análises sorológicas foram realizadas no Laboratório de Sanidade Animal (LARSANA) da Universidade Federal do Oeste do Pará. Os dados foram tabulados para determinar a frequência de equídeos soropositivos e soronegativos e a prevalência. A análise univariada foi realizada pelo teste Qui-quadrado para investigar a associação da prevalência de anticorpos e possíveis fatores de risco associados as doenças. Uma regressão logística binária do tipo logit com eliminação Backward de termos incluindo os fatores de risco considerados. As variáveis com P<0.05 foram mantidas no modelo final. Os dados foram analisados por meio do software Minitab 17. E o intervalo de confiança de 95% foi calculado usando o software Prism. Dos 1.059 animais amostrados, 44 (4,05% - IC 95%: 3-5,5) apresentaram resultado positivo no teste AAT. As amostras positivas no teste AAT foram confirmadas através do teste 2-ME e destes 11 animais foram positivos, 15 inconclusivos e 18 negativos. Considerando apenas os resultados confirmados pelo 2-ME a prevalência de brucelose equídea a nível animal em equídeos na região Oeste do Pará foi de 1,03% (IC 95%: 0,5-1,8). Dentre os fatores considerados, apenas a Mesoregião Sudoeste Paraense (P = 0,047) interferiu com a prevalência de anticorpos anti-Brucella sp. A presença de animais positivos para Brucelose não foi associada a problemas reprodutivos relatados pelos proprietários dos animais. Este é o primeiro relato de equídeos soropositivos para Brucelose na região o que contribui para o conhecimento da epidemiologia da doença e confirma o risco potencial da espécie equina para a saúde pública uma vez que estão em contato direto com humanos e outros animais.

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PICANÇO, Eloine Maria Bandeira. Fatores de risco associados à prevalência de anticorpos contra brucelose em equídeos do Oeste do Pará, Brasil. Orientador: Antônio Humberto Hamad Minervino. 2024. 67 p. Dissertação (Mestrado em Biodiversidade) - Instituto de Biodiversidade e Floresta, Programa de Pós-graduação em Biodiversidade, Universidade Federal do Oeste do Pará, Santarém, 2024. Disponível em: https://repositorio.ufopa.edu.br/handle/123456789/3266. Acesso em:.

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