Políticas e subjetividades do não humano em julio cortázar
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Universidade Federal do Oeste do Pará
Resumo
The present study investigates the animal imminence in the literary universe of the renowned
Latin American writer Julio Cortázar (1914-1984), based on the reading of the short story
Letter to a Young Lady in Paris, in parallel with other texts such as Headache, Distant,
Bestiary, and Circe – all published in 1951 in the compilation of short narratives titled
"Bestiary." Grounded in the unsettling thoughts of Donna Haraway, Gabriel Giorggi, Giorgio
Agamben, John Berger, Vinciane Despret, among other contemporary intellectuals, the aim
was to unravel how the feverish presence of animals drags Cortázar's characters into the abyss
of the unreal, stripping them of the status of the human, once granted by the "anthropological
machine of humanism" (Agamben, 2007, p. 51), according to anthropocentric criteria,
considering race, ethnicity, sexuality, language, rationality, and genetic integrity. Having made
this recognition, the study sought to verify in Cortázar's text how the characters, placed in
adverse contexts, are invaded by a deterritorializing animal contiguity that questions the
power technologies over life and reflects on how fluid the boundaries between humans and
non-humans are, constantly altered by the state's imaginary, responsible for separating the
bodies to protect from those to abandon. Thus, it was possible to observe the emergence of
new politics of living and new ethics of dying in the construction of an ontology of the body,
undertaken through the animal sign, formatted as an organic, affective, and material
continuum of man.
Resumo
O presente estudo averigua a iminência animal no universo literário do renomado prosador
latino-americano Julio Cortázar (1914-1984), a partir da leitura do conto Carta a uma
Senhorita em Paris, em paralelo a outros textos, como Cefaleia, Distante, Bestiário e Circe –
todos publicado em 1951 no compêndio de curtas narrativas intitulado Bestiário.
Fundamentado nos inquietantes pensamentos de Donna Haraway, Gabriel Giorggi, Giorgio
Agamben, John Berger, Vinciane Despret, entre outros intelectuais contemporâneos, buscouse
desvendar o modo como a febril presença dos animais arrasta as personagens de Cortázar
para o abismo do irreal, retirando-lhes o estatuto do humano, outrora concedido pela
“máquina antropológica do humanismo” (Agamben, 2007, p. 51), segundo critérios
antropocêntricos, tendo em vista raça, etnia, sexualidade, linguagem, racionalidade e
integridade genética. Feito esse reconhecimento, procurou-se constatar, no texto de Cortázar,
as personagens, inseridas em contextos adversos, sendo invadidas por uma desterritorializante
contiguidade animal, que de uma só vez interroga as tecnologias de poder sobre a vida e
reflete sobre o quão movediças são as fronteiras entre humanos e não humanos,
constantemente alteradas pelo imaginário estatal, responsável por separar os corpos a proteger
dos corpos a desamparar. Dessa forma, permitiu-se observar a emergência de novas políticas
do viver e novas éticas do morrer na construção de uma ontologia do corpo, empreendida por
via do signo animal, formatado como um contínuo orgânico, afetivo e material do homem.
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SILVA, Hiandro Bastos da. Políticas e subjetividades do não humano em julio cortázar. Orientador: Lauro Roberto do Carmo Figueira. 2024. 103 p. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal do Oeste do Pará, Santarém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufopa.edu.br/handle/123456789/3322. Acesso em: .
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